9 de julho de 2013

28 de junho de 2011

14 de dezembro de 2010

Sobre a brevidade da vida"

 


 


















































... .










































A vida já não é mais a mesma, por que partiu há  tempos....



10 de março de 2010




Noite dessas
Vi um vaga-lume sem lume;
Mas ainda era um vaga-lume.
pois:
Acendia-apagava - Acendia-apagava;
Acendia-apagava - Acendia-apagava;
Acendia-apagava - Acendia-apagava;
Acendia-apagava - Acendia-apagava;
Acendia-apagava - Acendia-apagava

                                                                 Alvessantos, março 2010

Dois contra Um

Um andava calmamente pela praça daquela pacata cidadezinha fumando seu cigarrinho predileto. Dois andava de bar em bar, baixando as portas de onde passava. Totalmente emborrachado, já não sabia quem era ele mesmo.
Altas horas da madruga, Dois esbarra-se contra Um e vê nele sua consciência. Dois pede um cigarrinho e começa uma prosa, conflitando suas idéias, ele se confundiu com UM compartilhando devaneios curtos e inexplicáveis; estranha-se e numa rápida ação golpeia Um,
deixando-o caído no chão agonizando.
Dois vaga ziguezagueando pelas ruas melancólicas, frias e sombrias da cidadezinha.

Alvessantos, março 2010

19 de janeiro de 2010




Outro dia fui cúmplice de assassinato:
Sem muito o que fazer, naquela tarde alegre
de sol num dia de verão, estava caminhando
e vi algo estranho no chão. Uma Morte....um cadáver.
Um cadáver incomum, desses que quase
sempre nos deparamos pelo chão.
Refrescante, de frutas ou leite? Nunca saberei,
Sei que estava ali, diante de mim, manchando o
calçadão, poucos intimidaram a olá-lo, eu
parei, fiquei a perguntar: qual sabor ele tinha?
                                         

                               Alvessantos, jan. 2010

28 de novembro de 2009

Os homens ocos


Os homens ocos
"A penny for the Old Guy"
(Um pêni para o Velho Guy)
"Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada
Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;
Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como os homens ocos
Os homens empalhados.
II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.
Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo
- Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular
III
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.
IV
Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos
Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio
Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.
V
Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada
Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa
Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino
Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é o
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro."

25 de novembro de 2009

Mr. Tambourine man



Ei mr. tambourine man
Toca uma canção
To sem sono e não tenho para onde ir
Ei mr. tambourine man
Toca uma canção
Que me deixe flutuando pelo mundo
Nesta mágica viagem
Que me leva pelo céu
Entre estrelas de papel
Pelo céu da minha boca vou cantando
Em nuvens de fumaça
Feito um novelo de lã
Estou pronto pra partir
Seja pra qualquer lugar
Quero esquecer o hoje
E quem sabe o amanhã
Ei mr. tambourine man
Toca uma canção
Quero flutuar em notas pelo mundo
Ei mr. tambourine man
Toca uma canção
To sem sono e não tenho para onde ir
Feito um lobo solitário
A vagar dentro da noite
Pelos cantos onde eu ando
Entre errantes e vadios
Entre loucos delirantes
Um bando de sozinhos
É com eles que eu divido
A minha solidão
É com eles que eu posso abrir o coração
Mostrar minhas franquezas
Falar da minha busca
Perdido na multidão
À espera de um sinal
À procura de um olhar
Que possa me mostrar de novo a direção
Ei mr. tambourine man
Toca uma canção
To sem sono e não tenho para onde ir
Ei mr. tambourine man
Toca uma canção pra mim
To sem sono e não tenho para onde ir
Feito um lobo solitário
A vagar dentro da noite
Pelos cantos onde eu ando
Entre errantes e vadios
Entre loucos delirantes
Um bando de sozinhos
É com eles que eu divido
A minha solidão
É com eles que eu posso abrir o coração
Mostrar minhas franquezas
Falar da minha busca
Perdido na multidão
À espera de um sinal
À procura de um olhar
Que possa me mostrar de novo a direção
Ei mr. tambourine man
Toca uma canção
To sem sono e não tenho para onde ir
Ei mr. tambourine man
Toca uma canção pra mim
To sem sono e não tenho para onde ir"

Por Zé Gê.

4 de novembro de 2009


Uma Homenagem ao mestre do Carimbó, uma dança linda de ver e de dançar.

O adeus ao Mestre Verequete, ícone da cultura
“O carimbó não morreu/ está de volta outra vez/ o carimbó nunca morre/ quem canta o carimbó sou eu.”
Os versos ritmados dão a medida da importância do Mestre Verequete para a cultura brasileira. Augusto Gomes Rodrigues morreu ontem, por volta do meio-dia, vítima de insuficiência respiratória aguda e infecção generalizada, no Hospital Universitário João de Barros Barreto, em Belém, onde estava internado desde o último domingo, dia 1º. Segundo o boletim médico divulgado pelo hospital, Verequete tinha pneumonia aguda e respirava com a ajuda de aparelhos. Nas próximas reportagens você vai acompanhar a repercussão da morte de Verequete, saber mais sobre sua obra e as homenagens que lhe serão prestadas.
>> Muitas homenagens no adeus a Verequete
>> Verequete: escolas receberão discos remasterizados
>> Verequete: prefeitura cortou benefício do mestre
Homenageado até pelo presidente Lula como Comendador da Ordem do Mérito Cultural, uma das mais importantes honrarias do governo federal, Mestre Verequete chegou aos 93 anos convivendo diariamente com a pobreza. A exemplo do que acontece como muitos ícones da cultura popular, o nosso Rei dos Tambores não teve em vida o reconhecimento que merecia. Por muitos anos Verequete sobreviveu vendendo churrasquinho numa barraca em frente à vila onde morava, na periferia da cidade.
Em 2006, durante uma das raras entrevistas que concedeu nos últimos anos, Mestre Verequete era só queixas. Quando perguntado sobre os vários projetos já realizados no Pará em sua homenagem, ele desabafou: “‘Faço tudo por todos que vêm aqui, conto o que tenho que contar, mas depois não vejo nada. Nem uma foto bonita na parede eu tenho”.
Já nessa época, a memória não ajudava muito. Verequete dizia que tinha 105 anos e reclamava da saúde “caída”. Fraco e debilitado, preso a uma cadeira de rodas após sofrer vários derrames, ele estava morando num barraco de madeira com dois compartimentos, onde todo o mobiliário se resumia a um colchão jogado no chão, gavetas empilhadas num canto, uma cômoda com uma televisão velha e um aparelho de CD. Lá dentro, um forte odor de urina denunciava o descaso. Foi lá que Verequete viveu por um tempo, enquanto sua casa na mesma vila era reformada com o dinheiro ganho através de um projeto.
Mesmo com a idade avançada e o frágil estado de saúde, Verequete vez por outra saía de casa para receber alguma homenagem. Nessas ocasiões, ele se animava tanto que chegava a levantar da cadeira de rodas. “Quanto mais gente e mais aplauso, melhor pra mim”, dizia ele.
Ontem, a maior expressão do carimbó tradicional, o popular “pau-e-corda”, calou-se para sempre. Sua obra permanecerá, assim como a estranha sensação de que não sabemos dar valor ao que nos é mais caro.
Para acalmar o mestre, música era o melhor remédio

Segundo a família de Mestre Verequete, ele já vinha enfrentando problemas de saúde há vários anos. “Ele teve um enfisema pulmonar que o deixou muito debilitado. Ultimamente, todos os meses tinha consulta no Hospital Barros Barreto e tomava remédios”, contou a filha caçula, Lucimar Rodrigues, logo após o boletim oficial confirmando a morte de Verequete.
O próprio tratamento médico por vezes gerava problemas. “Receitaram um medicamento para ele dormir, mas ele ficou muito agitado, não reconhecia mais ninguém e queria ir para Icoaraci”, contou Josenilda Pinheiro da Silva, a dona Cenira, companheira do mestre por mais de três décadas. “Aí suspenderam o remédio e ele melhorou. Mas vivia brigando e falando sozinho”.
Para tranquilizá-lo, só tinha um jeito: Cenira colocava para tocar um CD com as músicas dele. Era assim que Verequete se acalmava.
Verequete tinha quatro filhos do primeiro casamento e um deles, Augusto Carlos, 42, mora na mesma vila que o paimorava, no bairro do Jurunas, e integra o lendário grupo O Uirapuru, que acompanhou Verequete desde o início da carreira. Os outros três vivem em Icoaraci.
(Diário do Pará)

6 de outubro de 2009

COPO SUJO





Em noites frias e sombrias
Encontro-me em bares do submundo;
À procura de meu bromazepam barato.
Minha mente sedenta de perturbações,
Angustias coisas inúteis, insanas e melancólicas.

O balcão está lotado, um empurra-empurra:
Bêbados e drogados disputam a atenção
Instantânea da garçonete, aquela vadia
Que cospe nos copos antes de lhe servir.
Gostosa a garçonete.

A essa hora da madruga ela já não me compreende,
Peço-lhe uma, duas, três, quatro vezes,
PORRA!!!

Só desejo uma dose, apenas uma única dose.
Mais alguns instantes e o copo aproxima-se,

Seboso, marcas de batons e cheiro de cigarros [baratos.
Paro, olho, tento relutar, mas a abstinência é mais forte, viro o copo, o conhaque
Queima garganta abaixo.

Já não sinto mais nada,
Apenas olho o fundo do copo sujo.

Alvessantos

13 de maio de 2009

Poema achado

" vagando pelas longas noites;
seguem os dias que nos consomem
lentamente com seus relógios que insistem
loucamente em nos apressar como feras,
que nos perseguem todas as noites frias
em que nos deitamos
à espera de uma nova alvorada .......... "
alvessantos.nov/2006

12 de maio de 2009

Ultimamente tenho vivido como o vento:
quase sempre apressado sem sequer
sentando-se ao seu lado.

alvessantos. maio/2009

7 de maio de 2009

Promessas de Buteco

Mais outra noite,
O mesmo buteco,
O mesmo balcão,
O mesmo copo sujo.

Prometi "nunca" mais amar,
Prometi "nunca" mais beber,
Prometi "nunca" mais fumar,
Prometi "nunca" mais encostar neste balcão.

Putz, Prometi nunca mais
dizer "nunca mais".
Tantas promessas em vão...
Todas rompidas, esfaceladas, apagadas;

Silêncios,vazios, medos, náuseas.
Tudo isso vêm sempre que prometo algo
em uma mesa ou balcão de butecos...


alvessantos. maio/2009

16 de abril de 2009

SUAVES E MALDITOS

Suave a faca que corta o legume.
Suave a mão que me massageia o corpo,
Suave a boca que beija,
Suave a língua que me roça,
Suave o dedo que me coça.


Maldita a faca que me corta a garganta,
Maldita a mão que me concede o tapa,
Maldita a boca que me escarra.
Maldito o dedo no gatilho.

Suaves e malditos são
A caneta, o papel e os versos
Que restaram nesse pobre papel.

Alvessantos
Ingiro cápsulas coloridas
De alguns “tarja preta”
Todas as noites antes de dormir.
Sempre de forma controlada,
Muitas vezes descontroladas e
Acompanhado de uma bela
Dose de conhaque.

Sei que não posso morrer;
Pois a morte me deixou,
Abandonado embriagado,
Abraçado num poste de um orelhão
Sujo naquela noite fria.

Um indigente, sou um indigente!
Furtado pelos filhos da noite;
Drogados e felizes.
Com seus desejos insanos.
Apenas mais um.
Um maltrapilho,

São ócios da vida boêmia.

Alvessantos. abril/2009

OI VALF

Quando eu morrer,
Não quero flores
Sobre meu corpo.
Não quero prantos,
Silêncios, velas queimando.
Não quero cadeiras enfileiradas,
Nem cafezinho em xícaras.

Quero um corpo nu,
Coberto por minhas fotografias.
Quero um sorriso imenso
Em minha face pálida.
Velas apagadas
Todos cantando
“canto para minha morte”.

Vinhos baratos,
Cervejas e cachaças
Acompanhados de
Pasteizinhos e torresminhos.


alvessantos. abril 2009

25 de março de 2009



Belo,
este entardecer
Sem carência de mito e mel.
Belo,
Este Pôr-do-Sol ou outro possível,
Esta vida o outra invenção,
Sem na sombra, fantasmas e medos.
alvessantos.

Passado ou Futuro?



Mataram as velhas;
Mataram os pais;
Mataram as mães;
Mataram os filhos.

Árvores já não alimentam
As caldeiras, os fornos;
A fumaça, muitas vezes cinza;
Outras brancas, morenas, parda;
Enfim vermelha...

Os cães soltos famintos perambulam
Pelas ruas, prédios e casas;
À procura de carne fresca,
Atrás das grades estamos seguros,
Seguros?

Aviões cruzam os céus, bombas caem;
Rasgam chãos, montanhas, vilas e cidades;
Mortes, sofrimentos, dor, angústias melancolias;

O fim está próximo?
Ou será apenas um recomeço?
Não, não é o fim,
É apenas o presente;
Um futuro passado.

alvessantos .

“DIGAMOS ASSIM”

O que você diz?
O que eu disse?
O que eles dizem?
O que você disse?
O que eu dizia?
O que eles disseram?
O que nós diremos?
Afinal;
Digamos assim...

alvessantos.março/2009

28 de agosto de 2008

Vila Perdida







 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vila da Estação Bucãina

Homens, terras, enxadas,
Aço, buraco, covas
Estradas, Ferro, rodas,
Motores, fumaças, estradas,
Trilhos, compridos, rodas.

A estrada de ferro imposta,
O verde, a mata, a encosta.
O homem, a vida, a estrada.

Areia, tijolos, casas,
Homens, Crianças, a estrada,
Estrada, invernos, ruínas.

O trem passa, a vida passa, o tempo passa.
O homem passa, taaaarda, mas passa,
Desamparada, fria e solitária,
Permanece calada, calada.

alvessantos. Agosto 2008



“É na hora terceira
Da tarde de verão
E de primavera que o
Coração inclina-se ao
idílio e ao amor.

O homem vence o medo
Ao próximo, aquece a alma,
Se desvagnece e
Envolvido pelo o lento
Passar da tarde,
Consegue AMOR !!!”

27 de agosto de 2008

Saia d'água














A formosura destes vales
E a sombra das verdes aroeiras,
O manso leito que dessas águas límpidas
Que cortam a terra traçando toda sua geografia,
Donde toda nossa tristeza se desterra;
O rouco som das águas, a estranha terra,
O esconder do sol pelas caladas montanhas,
Tudo me fascina.
alvessantos,2007

Viagem

Viagem
trilhos da EFG